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domingo, 7 de agosto de 2011




João Carlos Martins emociona público
de 3 mil pessoas em encontro de estudantes






Por Clarice Gulyas


O maestro João Carlos Martins emocionou cerca de 3 mil jovens durante encontro de estudantes do Centro Educacional Leonardo da Vinci, realizado no último sábado (6), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O pianista compartilhou com crianças e adolescentes a trajetória de vida que o consagrou como símbolo de superação. O evento fez parte das comemorações dos 42 anos da escola. A programação contou ainda com palestras motivacionais e apresentações culturais como a participação do coach Homero Reis, do grupo perfomático Laugi e da banda cover dos Beatles All You Need Is Love.

Aos 71 anos de idade e 110 concertos realizados só este ano no Brasil e no exterior, João Carlos Martins subiu ao palco para dizer aos jovens que o sonho não tem prazo de validade. E que a persistência é capaz de mudar o futuro. “A minha mensagem para vocês é que a pessoa nunca pode desistir. Quando a gente nasce, é como ser uma flecha: cada um tem o seu destino, o seu caminho e que cada um tem que cumprir sua missão”, diz.

Com o movimento de apenas três dedos das duas mãos, Martins arrancou aplausos e lágrimas ao interpretar o compositor alemão Bach para o público. O maestro foi um dos maiores intérpretes de Bach no mundo. Crianças de todas as idades se aglomeraram em frente ao palco comovidas com o talento e a simpatia do maestro. A aluna do 7º ano do Ensino Fundamental, Milena Monte, 12 anos, conseguiu um autógrafo de João Carlos. “Achei muito interessante a história dele e como toca o piano. Foi emocionante ver como ele superou a perda dos movimentos das mãos”, elogia.

Fã do maestro, Mariela Monte, mãe de Milena, conta que o momento foi de renovação espiritual. “Eu já gostava do João Carlos porque temos CDs dele em casa. Achei a palestra muito emocionante e o evento foi além das minhas expectativas. E me mostrou que quando você quer, você consegue”, avalia.

Ao final da apresentação de Martins, cantores profissionais e amadores do grupo perfomático Laugi homenagearam de forma irreverente o maestro com a canção Beatriz, de Chico Buarque e Edu Lobo. Em resposta, João Carlos Martins, de forma inusitada, regeu o grupo por alguns instantes. “Ser regido pelo maestro Martins, alguém que é exemplo como pessoa e referência mundial como músico, é com certeza uma honra e oportunidade única para nós. Naquele momento nos sentimos mais inspirados ainda a viver de música”, diz Cinthya Baccile, integrante do Laugi.

Com um diálogo descontraído, o coach Homero Reis também conquistou a atenção dos jovens na palestra “Feitos para vencer”, que abordou como os estudantes podem superar os limites nos estudos com a conciliação adequada de responsabilidade e lazer. “O desafio de ser vencedor é ser alguém que tenha prazer no simples fato de estar vivo”, disse.

Para Lucas Silva, 13 anos, a partir de agora as escolhas do futuro terão maior atenção. O estudante do 8º ano do Ensino Fundamental pretende passar menos horas na frente do computador e se dedicar mais aos estudos. “Eu gosto muito desse tipo de palestra e me fez pensar em algumas coisas como não ficar muito tempo nas redes sociais e fazer inglês”, diz.

A aluna do 8º ano do Ensino Médio, Júlia Franco, 13 anos, participou da primeira edição do encontro, em 2009. De acordo com ela, o evento realizado esse ano superou as expectativas. “Esse foi muito melhor e bem mais organizado. Achei as palestras bem legais e interessantes e que tiveram a ver com a gente. Agora a gente vai pensar mais no tempo gastamos na vida brigando por besteira e como agir com as pessoas ao nosso redor”, diz.

O evento foi encerrado com a apresentação da banda cover dos Beatles All You Need Is Love, que interpretou diversas músicas do quarteto inglês com direito a figurino especial e diálogos no idioma do grupo, que proporcionou ao público a sensação de viver os anos 60.

“Achei o encontro excelente. É uma ótima opção de troca de experiências. Quero parabenizar o colégio por essa iniciativa e espero que promovam outros eventos como este”, elogiou Nelson Lopes Sousa, pai de Matheus Henrique, aluno do 6º ano do Ensino Fundamental.

O diretor do Centro Educacional Leonardo da Vinci, Jorge Manzur, comemora o sucesso da segunda edição do encontro. E diz que a finalidade do evento foi atingida de acordo com os princípios e propostas pedagógicas da escola. “Acho que a escola não pode só ser conteúdo e esses eventos culturais ajudam na formação dos alunos como cidadãos com valores humanos e histórias de solidariedade e superação”, avalia.







A arte de se reinventar

Por Clarice Gulyas

Superação. Essa é a lição que o maestro João Carlos Martins passa em cada som dedilhado no piano. A trajetória de um dos maiores pianistas do país se tornou exemplo internacional e encanta crianças e adolescentes em Brasília. Palestrante em encontro para jovens do Centro Educacional Leonardo da Vinci, que será realizado neste sábado (6), o maestro espera mostrar aos estudantes que a música é capaz de aproximar as pessoas e transformar atitudes.

O estudante Alexandre de Oliveira, 17 anos, segue o exemplo de superação e se apega a cultura para enfrentar os obstáculos como portador de deficiência auditiva. Assim como o maestro, não faltam sonhos e criatividade para seguir adiante. Formado em inglês, o aluno do 2º ano do Ensino Médio gosta de passar o tempo estudando a cultura e o idioma russo e praticando sua maior paixão: o piano. “Eu não estou nem aí se sou surdo, eu gosto do que é diferente. A surdez não é problema nenhum. O problema é o preconceito da sociedade”, diz.



Ex-praticante de judô, Alexandre também frequenta aulas de natação e vai iniciar um curso de francês. Mas o que ele realmente quer é estudar engenharia na Rússia, por acreditar que lá existem os maiores profissionais da área. Alexandre também relembra filósofos e cientistas históricos que foram exemplo nos estudos e na vida pessoal, influenciando e incentivando toda uma geração. Dentre eles, Alexandre destaca Albert Einstein, Leonardo da Vinci e o químico russo Dimitri Mendeleev. “Também gosto do Napoleão porque passou de pobre para imperador”, diz.


Para a mãe, Alessandra de Oliveira, a facilidade de adaptação e o constante interesse de Alexandre pelo conhecimento são motivo de orgulho para toda a família. Mas assim como o ídolo Leonardo da Vinci, que se constrangia por desenhar com a mão esquerda, Alexandre passou por problemas de comportamento e de agressividade na infância por não aceitar a limitação física. Na pré-adolescência, teve dificuldades em aceitar a rotina de frequentar especialistas como fonoaudiólogo para melhorar a fala e se adaptar aos sons ambientes, intensificados com o uso de aparelho auditivo.

“Esse avanço dele foi um trabalho conjunto da família e da equipe de profissionais, entre eles médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, os profissionais de equoterapia. Quando pequeno ele demorou a andar e também não conseguia andar de bicicleta por lhe faltar equilíbrio, provavelmente, por causa da surdez. O resultado que o Alexandre apresenta agora não é o definitivo, mas o será quando ele estiver formado na faculdade e empregado”, diz.


Para o maestro João Carlos Martins, que por duas vezes teve de abandonar a carreira de pianista quando perdeu os movimentos das mãos, a música não só o ajudou a superar limites como também fez com que “os caminhos para o abismo se tornassem uma plataforma para o futuro”. “A frustração é tão grande que você tenta deletar a música da sua vida, mas eu não consegui porque ela faz parte do meu ser. Eu sempre fui um leão no palco e continuo sendo na regência”, conta.


Aos 71 anos e com um repertório de 110 concertos realizados no Brasil e no exterior só este ano, João Carlos Martins afirma que a música é capaz de aproximar as pessoas e ajudar a superar desafios. “Hoje em dia nos países asiáticos a música já ultrapassa até o esporte para a inclusão social. No esporte existe a palavra disputa e na música existe a palavra amor”, diz.


A diretora pedagógica Solange Foizer avalia que a escola tem o papel fundamental de estimular o aluno com um acompanhamento individualizado para fortalecer a autoestima no sentido de perceber os pontos fortes e os aspectos a serem alavancados. Atitudes básicas de relacionamento como dar bom dia e a participação em atividades culturais contribuem para que o aluno seja respeitado e motivado a se destacar cada vez mais.


“Quando percebemos a baixa autoestima, procuramos conversar. Temos dinâmicas e jogos cooperativos que ajudam no trabalho individual e faz a diferença para eles se desenvolverem porque somos indivíduos e não coletivos. Essas atividades geram harmonia, respeito, empatia, solidariedade e o carinho pelo o outro”, diz.
Beatles inspira talento musical em jovens
Por Clarice Gulyas

Pela primeira vez em Brasília, a banda All You Need is Love irá reunir aproximadamente 3 mil pessoas durante encontro de jovens do Centro Educacional Leonardo da Vinci no próximo sábado (6). Reconhecido internacionalmente, o cover brasileiro dos Beatles promete inspirar o talento de crianças e adolescentes através de músicas dos anos 60.


Com a canção I Want to Hold Your Hand na ponta da língua, Ana Flávia Rubenich, 15 anos, não vê a hora de conferir de perto o espetáculo mais famoso da América Latina. “Eu quero muito ir a esse show porque já ouvi falar bastante dessa banda. Eu ouço Beatles desde quando estava na barriga da minha mãe”, conta. “Essa é uma banda que revolucionou a música mundial, influenciou costumes e valores da sociedade”, completa.


Inspirada por músicas clássicas e estilos diferenciados como o reggae e o surf music, Ana Flávia manifesta a paixão pela música internacional desde os primeiros acordes de violão, aos 10 anos, quando aprendeu a tocar o instrumento por conta própria. No ano passado, a estudante do 1º ano do Ensino Médio chegou a integrar uma banda com o repertório de algumas músicas do quarteto inglês. Apesar da experiência não ter dado certo, Ana Flávia tem planos para o futuro. “Estou pensando em montar outra banda e tocar músicas que eu gosto e com pessoas que fazem um som legal. Tocar sozinha é bom, mas em conjunto é muito melhor”, diz.


Com um gosto musical incomum ao de meninas de sua idade, Arthalídes Coelho Pisco, 14 anos, tem orgulho de exibir os dedos marcados pelos fios do violino. O interesse pela música erudita surgiu aos 9 anos por influência do pai, maestro, e da mãe, ex-saxofonista. “Eu toco violino porque gosto e não simplesmente porque quero. Para tocar esse instrumento é preciso muita técnica e a prática deixa marcas nas mãos e no pescoço. Às vezes doi, mas é bom”, conta.


Apesar de já reproduzir o Concerto nº 3 de Mozart e sempre participar de festivais nacionais, Arthalídes quer chegar mais longe. Assim como os dois irmãos mais velhos, ela procura se dedicar cada vez mais à música para poder realizar o sonho de se apresentar internacionalmente. “Eu não sei se quero ser violinista, mas quero continuar a tocar porque gosto de participar das orquestras. Costumo praticar na Escola de Música três vezes por semana e não há nada que me faça não querer ir”, diz.


Na escola onde as alunas estudam, a presença da música é incentivada por aulas teóricas e atividades culturais. Além disso, projetos e tarefas interdisciplinares como encontros culturais dão a oportunidade dos jovens compartilharem conhecimentos e experiências.


A orientadora educacional Magally Borges avalia que a música é um meio eficaz de facilitar o processo ensino-aprendizagem. De acordo com ela, esse tipo de contato é importante para estimular os alunos tanto nos estudos como na vida pessoal. De acordo com Magally, a música contribui com a superação de obstáculos, com o cumprimento de responsabilidades diárias e na redução de conflitos na escola. "A música estimula o desenvolvimento intelectual por desenvolver no aluno a capacidade de observar, analisar e compreender o mundo de forma descontraída. Além de aguçar a sensibilidade e emoção, ajuda no alívio das tensões evitando o estresse, o que pode proporcionar no ambiente escolar uma maior integração e interação entre os alunos”, avalia.
Atividades complementares pacificam ambiente escolar na luta contra o bullying
Por Clarice Gulyas


Atividades interdisciplinares e aulas complementares são estratégias para reduzir o bullying nas escolas. Enquanto o projeto de lei (PLS 228/10) tramita em análise na Câmara dos Deputados para garantir o combate a ação nas salas de aula, colégios particulares adotam iniciativas próprias de conscientização. Para reverter a baixa autoestima de crianças e adolescentes hostilizados de forma constante e evitar o isolamento das vítimas e a queda do rendimento escolar, especialistas em educação afirmam que a diversificação das aulas podem contribuir para a socialização e convivência pacífica no ambiente escolar.

No Distrito Federal, estado com maior número de ocorrências de bullying do país segundo pesquisa recente do IBGE, o projeto de lei 156/2011 também tramita em análise na Câmara Legislativa. Leis estaduais e municipais contra a prática foram sancionadas no Rio Grande do Sul, Rio de janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. Cerca de 35% dos jovens brasilienses, de escolas públicas e privadas, admitiram já ter sofrido ridicularizações no ambiente escolar. Esse número se agrava quando a instituição é privada, com 35,9% das ocorrências, contra 29,5% nas escolas públicas.

Para a educadora Maria do Carmo Soares da Costa, coordenadora disciplinar do Centro Educacional Leonardo da Vinci, o relacionamento dos alunos pode ser fortalecido com o incentivo de gincanas e aulas complementares. Na escola em que trabalha há eventos constantes de confraternização entre os alunos e uma espécie de desafio cultural que concilia a avaliação de trabalho escrito com a apresentação obrigatória de toda a turma em forma de teatro, dança ou música.

“Essas dinâmicas favorecem muito a interação dos alunos. Ele é acolhido porque tem que participar para receber a nota em grupo e individual. Quando esse aluno é envolvido, ele começa a ser aceito. Temos percebido que isso tem dado certo porque é uma oportunidade de inclusão”, diz.

A prevenção do bullying também pode ser feita com a discussão do tema de forma interdisciplinar. No Centro Educacional Leonardo da Vinci, por exemplo, a prevenção ao bullying conta com um circuito de palestras com a participação de pais de alunos que são profissionais da área da saúde e do Direito. A orientadora educacional, Jane Mara Castelo Branco, também da mesma escola, acredita que o envolvimento dos pais com a comunidade escolar é essencial para construir um ambiente saudável para a instituição de ensino. Além disso, todos os funcionários devem ser orientados a perceber e comunicar o isolamento de alunos.

“A gente nota que esses parceiros fazem bem para os alunos e a família tem uma participação importante para ajudar no processo de conscientização. Muitas vezes o bullying começa na própria família, por exemplo, com aquela brincadeira de chamar o filho de baixinho”, diz.

A palestrante e promotora de Justiça Adriana Menezes aborda em suas apresentações a importância da denúncia de agressões com o ato de solidariedade e coragem. Também fala das penalidades as quais quem pratica o bullying está sujeito como medidas protetivas às crianças e medidas socioeducativas aos adolescentes. A promotora reforça que a sociedade como um todo tem o dever de zelar pelo bem estar dos jovens.

"Quando a escola não realiza tarefas como essa, que trabalham no desenvolvimento de prevenção e informação, a responsabilidade do bullying é transferida para os pais que podem responder civilmente pelo dano moral ou material", diz.

As amigas Jéssica Tsai, 15 anos, e Luiza Ribeiro, 14 anos, alunas do 1º ano do Ensino Médio, contam que um dos colegas de classe já sofreu bullying por fazer interrupções freqüentes nas aulas. Mas o problema foi corrigido com o diálogo entre a orientadora educacional e a turma. “A nossa turma é bastante unida e quase isso não acontece. Às vezes a gente faz brincadeira uma com a outra, mas a pessoa que faz bullying, o faz freqüentemente com a intenção de incomodar a pessoa”, explica Luiza.

A psicóloga Ellen Dejanni explica que a participação da escola é fundamental para o acompanhamento do desenvolvimento dos jovens. Ela diz que na maioria das vezes o agressor sofre problemas pessoais e reproduz a violência doméstica por não saber lidar com impulsos e sentimentos que podem gerar a psicopatia.

“Os identificados como alvos e/ou autores apresentam maior probabilidade de desenvolverem doenças mentais e comportamentais, devendo ser considerados como um grupo de maior risco podendo manifestar um diagnóstico como um sujeito com hiperatividade, déficit de atenção, desordem de conduta, depressão, dificuldades de aprendizado, agressividade. Além de todas as demais já citadas, podem no futuro torna-se um psicopata”, explica.
Atividades culturais reduzem estresse e humanizam ambiente escolar
Por Clarice Gulyas

Na tentativa de reduzir os impactos do estresse e da desmotivação nos estudos, escolas investem na arte para estimular o aprendizado e a criatividade dos alunos. Orientadores educacionais e psicólogos afirmam que dinâmicas em grupo e atividades culturais melhoram a autoestima e humanizam o ambiente escolar.


Esse é o caso do jovem Leonardo Soares, 14 anos. Aluno do 9º ano do Ensino Fundamental do Centro Educacional Leonardo da Vinci, ele resolveu investir na música para melhorar o desempenho em sala de aula. Autodidata, ele tocou as primeiras notas de violão com o apoio de vídeos do Youtube e pesquisas na internet. Na escola, teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a história da música e conhecer os aspectos teóricos da nova paixão.


“Acho muito interessante ter aulas de música na escola. Além de acalmar, traz boas sensações. Eu adoro. Agora que entrei para uma escola de música quero aprofundar o que aprendo no colégio e aprender técnicas de som”, diz.


O incentivo e a persistência valeram a pena. Hoje, ele já ensaia os acordes do sucesso “Pra Você”, da cantora sertaneja Paula Fernandes. Para Leonardo, o estudo da arte como um todo influencia no modo em que leva a vida. E quando está aborrecido ou sozinho, é o violão quem comanda a situação. “Esse é um estudo que você leva para a vida toda. Quando estou triste ou sozinho pego meu violão e toco. Às vezes com a pressão do colégio e das provas, somente a música me deixa calmo”, desabafa.


A partir da conciliação dos estudos no ensino regular com as aulas de música, Leonardo planeja se apresentar em um dos projetos culturais de sua escola, de forma a integrar com outros alunos e compartilhar experiências. “Eu costumo ir nesses encontros para ver as apresentações, mas quero melhorar o meu máximo antes de me apresentar. E se no futuro eu ficar muito bom, eu entraria para uma banda por prestígio”, diz.


A psicóloga Ellen Dejanni explica que aulas de dança, música e teatro contribuem para despertar a autoconfiança dos alunos, além de proporcionar um ambiente escolar sadio por meio da socialização. Segundo ela, este tipo de interação previne comportamentos ansiosos, depressivos e agressivos como o bullying.


“Nas atividades lúdicas, o que importa não é apenas a atividade em si, mas os momentos de percepção, de conhecimentos, da afetividade para saber lidar com seus sentimentos e o sentimento do outro, noções de limites, regras, das paixões, espírito de liderança e equipe, companheirismo, das emoções, ou seja, por onde transitam medos, sofrimentos, interesses e alegrias”, diz.


A orientadora educacional, Sandra Couto, avalia que a distração do aluno em momentos de lazer e o descanso longe dos livros são essenciais para um estudo eficaz. Além das atividades culturais, o aluno também deve ser motivado por palestras, torneio de esportes, feiras culturais, celebração de datas comemorativas, e oficinas de jogos e literatura.


“Isto aliado a uma boa alimentação e uma boa noite de sono faz com que eles se sintam mais bem preparados psicologicamente e fisicamente para enfrentar o período de provas na escola, o que irá refletir positivamente nos resultados”, diz.


Com espetáculo criativo e diversificado, o grupo performático Laugi, sucesso no Distrito Federal, promete animar cerca de 3 mil jovens do Centro Educacional Leonardo da Vinci em encontro no próximo sábado (6). O objetivo do grupo é influenciar o aprendizado de crianças e adolescentes por meio da música, da dança e da interpretação, com uma proposta musical diferenciada, que vai do soul-funk à MPB, do Axé ao Rock’n Roll.


A psicóloga alerta que haja uma programação saudável para que o excesso de atividades não prejudique os momentos de lazer. “Essas atividades são essenciais para o crescimento e formação de um ser humano, porém não quando em excesso. O exagero ocasiona cansaços fisico e mental que podem gerar o estresse e até mesmo a depressão”, reforça Ellen.
Novas metodologias na educação

Estudantes entram na era do coaching para superar limites

Por Clarice Gulyas


Organizar o tempo de estudo e superar limites. Os maiores desafios dos estudantes na volta às aulas ganharam mais um aliado. Sucesso no mundo empresarial, o coaching, técnica de treinamento criada nos Estados Unidos, entra com tudo nas salas de aula e promete ajudar jovens a conciliar responsabilidade e lazer, principalmente na correria da recuperação e do vestibular.


Para o coach Homero Reis, que realiza palestra no próximo sábado (6) para alunos do Centro Educacional Leonardo da Vinci, o excesso de estudo não é o principal vilão que interfere no desempenho escolar do aluno, mas a maneira como o jovem lida com as responsabilidades. O professor universitário afirma que a adaptação do estudante na sociedade moderna é tão importante quanto a interação da educação com as novas tendências de mercado.

“O coaching ajuda a descobrir competências e habilidades no sentido de cada um desenvolver suas próprias atividades. Ele permite e ensina como as pessoas podem sistematizar e desenvolver técnicas próprias a partir da interação do coach com o cliente. O processo de aprendizado é tão distinto como as próprias pessoas. Não existe uma maneira ideal de estudar, assim como não existem pessoas ideais”, diz.


Segundo a psicóloga Ellen Dejanni, a rotina excessiva de estudo pode provocar o desgaste físico e mental do aluno. Nos casos mais graves, doenças como a depressão pode ser manifestada em forma de irritação, choro excessivo, perda de interesse nas atividades, tristeza, distração e falta de concentração. “É importante que o aluno procure realizar atividades prazerosas e saudáveis pelas quais tenha interesse. Deve existir motivação e uma programação dessas atividades, sem o acúmulo de várias ações ao mesmo tempo”, explica.


A orientadora educacional, Sandra Couto, ressalta que para o aluno descobrir a forma mais eficiente de estudar é preciso desenvolver primeiro o hábito do estudo. “A partir daí, ele aprende a distribuir as atividades, inclusive, as pessoais. Essa programação é importante para que ele possa traçar metas e prioridades de forma que ele alcance objetivos e se sinta motivado porque com os objetivos atingidos ele passa a estudar com prazer”, diz.


De acordo com Sandra, atitudes como revisar o conteúdo diariamente e priorizar o estudo de temas de maior dificuldade ajudam o aluno a melhorar o rendimento escolar. A educadora também destaca que pausas de pelo menos 15 minutos a cada duas horas são importantes para que o aluno descanse, se alimente ou se distraia com o que gosta. Além disso, as redes sociais devem ser totalmente desconectadas para evitar a interrupção dos estudos.


“Hoje em dia tudo o que é trabalhado ou estudado está na internet, mas o aluno deve se desconectar das redes sociais e cumprir o objetivo com disciplina. Mesmo que eles não estejam acessando nada, eles podem ser interrompidos quando algum contato se comunicar pelo MSN ou pelo Skype, por exemplo”, diz.
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Motivação e liderança
A preocupação com a organização dos estudos é cada vez mais comum com o surgimento das novas tecnologias e constante transformação cultural. Para manter a motivação e a autoestima de crianças e adolescentes, o coach também contribui com técnicas de relacionamento interpessoal que podem ajudar o aluno a superar expectativas e conquistar lideranças. De acordo com Homero, pessoas com maior nível de aprendizagem tendem a reparar melhor as demandas e a se destacarem por isso.


No terceiro ano do Ensino Médio, Ítalo Santos Martins, 17 anos, está confiante para o vestibular. Líder de turma desde o 6º ano do Ensino Fundamental, ele conta que o segredo para encarar novos desafios é fazer aquilo que mais gosta. “Não tenho uma rotina frequente de estudo, mas sempre me esforço para estar acima da média. Quando você gosta de determinada coisa, você aprende a se organizar e acho que isso existe em tudo na vida. Desde pequeno gostei muito de construção e arquitetura e no Ensino Médio acabei gostando mais de química e matemática e acho que juntei tudo e tive interesse pela engenharia”, conta.


Para o vestibulando, a responsabilidade de manter o bom relacionamento entre professores e colegas de classe também contribui para motivar os estudos. “Sempre tem aqueles que têm mais desenvoltura e aqueles que têm mais dificuldade. O líder deve incentivar os que têm mais dificuldade e continuar apoiando os que têm facilidade nos estudos. Também tenho o papel de falar com os alunos que têm problema em casa e fazer uma ponte com a coordenação”, diz.